Aterrizando em Paris...
Voltando ao que interessa, ou não...
Conheço Monsieur Lord no avião, destino a Paris. Olha que legal, ele é do Norte, nasceu em Lille e trabalha na imigração francesa. Não, isso não é foda, e sim legal. Ele me deu muitas dicas sobre o norte, suas belezas e disse: "você vai gostar do Norte, Lille é uma cidade muito bonita, e é a região com as pessoas mais educadas e hospitaleiras (e isso é verdade). Quanto a migração, deu altas dicas sobre como eu entrar, uso do passaporte, dos documentos e das obrigações na chegada. Como entrei por Portugal, não precisava de muita coisa, só entrar e dizer "oi Paris".
O avião vai abaixando: "atenção passageiros, em 10 minutos aterrizaremos no Aeroporto Orly, em Paris ...
Tensão, felicidade. Vem lágrimas no olho, mas de felicidade, mas elas eram só da minha cabeça. Começo a dar bobeiras como: "A França é um país muito lindo, eu sonhei com isso a muito tempo, comecei a fazer francês pensando nessa viagem, não era nada palpável". M. Lord me fala palavras de motivação após escutar toda minha história de vida até chegar ali, dificuldades e sonhos. Sim, ele só fala francês e inglês, ou seja: Conversei tudo isso em Frances (#souesperto).
Bienvenu au Aeroporto Orly - Paris - Passageiros, aguardem a parada total do avião para saírem de seus lugares...
M. Lord diz: "Bienvenu à Paris Marcos, Bon séjour en France" (bem vindo a Paris, boa estadia na França). Merci bien par tout (Muito obrigado por tudo). Ele se despediu e foi ao banheiro, eu fui pegar a mala. O cara era tão educado e gente boa que me procurou no lugar de pegar as malas, e perguntou como eu ia fazer pra ir pro Hotel, por que eu tinha dito que tinha reservado um hotel próximo ao aeroporto, e no dia seguinte seguiria pra Lille :) . Então ele pediu o número do hotel, ligou lá, hehehe, e mandou o cara vir me buscar à uns 20 minutos. Ele se despediu, eu agradeci beaucoup.
Esse foi meu primeiro papo\amigo na França.
Tudo continua, só paro em Lille...
Vou pro hotel, tomo aquele banho quentinho, depois de mais de 24 horas sem ele. Deito na cama, assisto TV em Francês (sou lindo e chique), posto coisas no facebook. Mamãe precisava saber que eu estava vivo e bem em Paris (como não fiicar?).
No dia seguinte, a batalha continua, como chegar a Gare du Nord (estação do norte)? M. Lord tinha me dito, e anotado o caminho, o cara do hotel me indicou outro mais barato. Fui no mais barato (#souesperto). Primeira dificuldade: como comprar uma passagem de metro em Paris? Pronto, fudeu, sóquenão.
Olha eu de novo usando meu super Francês (sóquenão) de novo. Madame eu não sei como eu faço pra comprar um bilhete para a Gare du Nord, a senhora poderia me ajudar? Não deu certo com o VTM (visa travel maney, onde tava toda minha fortuna), então comprei na grana mesmo (euros), ela falou que ia pra uma estação antes da minha, então ela disse que eu poderia seguir ela. Fomos conversando e batendo papos sobre o ensino e o apoio do governo brasileiro pra Educação Superior. Ela me disse: "eu conheço um grande programa de intercâmbio do Brasil, o Ciência sem Fronteiras", MÉLDÉLS, kkkkkk, eu respondo "sério? Eu sou um bolsista dele", ela me dá parabéns.
Sozinho no mundo, abandonado, só com destino...
A madame desce do metro, a outra era a minha, hehehe. Outra experiência nova, nunca peguei trem. Na Gare, pedi informação, a FDP me responde em inglês e errado ainda. Agora eu já sabia que meu trem era no negócio 14, não sabia que tinha elevador e escada rolante, subi a escada. NOTA: EU ESTAVA COM UMA MOCHILA E UMA MALA GRANDE DE 30 QUILOS E FIZ TUDO ISSO JÁ. Quando tirei dúvida no guichê de informações, já tava quase saindo meu trem, saio correndo, entro no primeiro vagão, acho um lugar pra mala e outro pra mim. Sento, bate a depressão da solidão.
Assista esse vídeo, essa música depressiva que eu achei agora, demonstra a depressão do trem.
No trem sem ninguém...
Alguém já imaginou o Marcos, depois de sofrer carregando mala em metros, a pé, sobir malas, não sabia pegar o trem, e detalhe, depois descobri que existia vagão certos, escrito na passagem, mas eu não sabia. Viajei depressivo, o rapaz de terno ao meu lado estudava alguma coisa de engenharia, eu não podia falar nada, nem comigo mesmo. Vendo a paisagem de Paris, e partindo para a paisagem do norte, a depressão apertava, a tristeza não saia de mim, estava sozinho no mundo. Bateu aquela vontade de chorar, meu olho encheu de lágrimas, quando escorei no vidro pra chorar, MERDAAAA, o ar condicionado saia de baixo da janela e batia no meu olho e secou ele todo, eu ri demaaaaiis (kkkkkkkk o lesado) ri muuito mesmo, a depressão acabou, fui rindo até chegar em Lille, uns 30 minutos. A tristeza acabou, no mundo era só eu, mas era eu na França, indo pra Lille, onde alguém me esperava, e outros amigos brasileiros também.
Assistam o próximo capítulo, tenho surpresa, chego em Lille...

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