Reflexões de fim de intercâmbio, o começo do fim de 1 ano
Agora me restam quase 22
dias na França, e o pior, muita coisa mudou. O que pude perceber é
que não cresci sozinho, mas vejo em mim coisas que aprendi com meus
amigos, brasileiros, espanhol ou francês, ou mesmo meus colegas de
sala na França, que nem sempre eram só franceses.
Nessa troca de
conhecimentos, vi um amigo que no começo não queria falar com
brasileiros nas viagens, já que já conhecia muitos e eu o
contrário, que achava porque era brasileiro, eu poderia sair falando
como se fosse alguém de Nova Glória, a cidade que nasci e que falo
com todos, pois se não conheço, são amigos dos meus pais (na
maioria dos casos). Vejo que agora posso ir pra um estado diferente
ao meu e que além de ter casa saberei as expressões que eles estão
usando, ou que ir num rendez-vous em Belém estarei indo num cabaré.
E agora começam a sair a
destinação dos próximos brasileiros do Ciências sem Fronteiras, e
o que vejo é o quanto perdido chegamos e quanto é bom ajudar alguém
que faz as mesmas perguntas idiotas que você.
Mas voltar nem sempre é
mil maravilhas, é complicado. Duas semanas atrás queria muito
ficar, antes da despedida de alguns amigos. Mas depois vi que Lille
sem os amigos não serviria de nada. E vendo isso entristeci. Foi uma
das semanas mais difíceis pra mim, chorei de saudades dos que já
tinham voltado pra suas casas e aos que vou me separar daqui alguns
dias, e depois chorei mais pensando na saudade que tenho dos que me
esperam no Brasil.
Hoje estou no estágio,
escrevendo algumas experiências, alguns amigos que partem, eu que me
preparo pra fazer o mesmo. E o que me fez ficar melhor? Começar a
planejar os reencontros, com os meus amigos que deixei no Brasil, com
meus amigos brasileiros que conheci aqui e com os estrangeiros que
aqui vão ficar.
A nostalgia começa a
chegar e a expectativa da volta também, comecei até a preparar
minhas coisas e as lembranças que levarei comigo. Incrivelmente eu
só penso de levar coisas para minha família e pra mim, parece que
tenho que levar tudo comigo, pois tudo faz parte da minha vida, até
papeis de propaganda, ou os desenhos que fiz lembrando dos meus
amigos durante o ano.
Mas sei que temos que
desapegar. Hehehehe Credo, essa postagem está sendo muito
~~~nostálgica~~~~ então agora começo a parte legal.
Como toda despedida é
triste, é também um momento de beber uma cerveja com os amigos, e
isso o meu fígado não sentirá falta. Depois de beber várias
cervejas diferentes, bebidas diferentes, meu absinto de 80% de
álcool, a cerveja do diabo, de 12%, vodka que me deixou de ressaca
todo um dia, ou tomar vinho como se fosse pinga, só pra não passar
frio, agora é hora de beber as ultimas cervejas do intercâmbio,
logo, todos os amigos sabem: Marcos, festa no dia seguinte...
Enquanto eu aprendo a
beber igual um espanhol com um amigo, eu ensino um amigo francês que
nunca bebia. E a gente aprende com os espanhóis que uma garra de
vinho foi feita pra ser bebida sozinho e que uma festa foi feita pra
acabar 9h da manhã, depois de passar em 5 boates. E você aprende
com o francês que chegar atrasado não é educado, e que 10 minutos
tá bom de atraso, e que no nordeste tem vários sotaques e não o
nordestino, e que nem todos no sul falam com o sotaque estereotipado,
mas que no Rio todos xingam, e que em Goiás só existe Nova Glória,
ou que Cuiabá é o cu do mundo de quente. E que verão pra muitos no
Brasil é o ano todo.
Mas voltando ao assunto
bom, notando que mudo de assunto igual mudo de música, agora é hora
de beber as ultimas cervejas dessa temporada, escrever meu relatório
de estágio e curtir meus últimos dias aqui nesse ano, pensando qual
será meu primeiro prato quando voltar ao Brasil, que será uma
coxinha no aeroporto de Brasília.

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