Viajo porque preciso, volto porque te amo - Uma carta aberta para mamãe!

Ser filho a distância é uma coisa complicada. Mesmo a mamãe não tendo superado, ela já aguenta mais firme a distância, já que revezamos em 3 filhos. Datas comemorativas são sempre difíceis, coração sempre dá aquela apertadinha, principalmente porque os colegas vão para casa, todos estão na programação do feriado, e você indo contra a corrente, procurando alguma forma de se distrair para que aquele dia seja ao menos normal.
Esse ano completo 10 anos que saí de casa pela primeira vez, com 14 anos, rumo a escola agrícola (Escola Agrotécnica Federal de Ceres – IFGoiano), sempre que lembro daquele sábado, preparando minhas coisas para me mudar pro alojamento da escola, para passar 3 anos por ali, me vem uma grande emoção, a mesma que sinto cada vez que estou me preparando para ir embora. Como uma mãe tradicional, sempre falava dos perigos da vida fora de casa, como eu deveria seguir e os conselhos que eu precisava.
 Ela mal sabia que depois daquele dia, eu me tornaria um cidadão do mundo, mas que sempre tem um ninho pra voltar depois de grandes voos. Hoje ela já sabe, que passar alguns minutos no telefone, sem muito assunto, é como se fosse um cafuné digital. Arrumamos nossos meios para nos comunicar e nos sentir próximos, seja Skype, facebook, whatsapp ou qualquer outro.
Ser filho a distância não é fácil. Mas não existe momento mais especial que o retorno, hora de abrir a mala e contar as novidades, explicar os motivos de ter feito essas escolhas, explicar o que faço, o que estudo e minhas motivações. Mesmo sem saber muito do que se trata, ela tá ali, escutando como se fosse a coisa mais legal e interessante do mundo, aquilo que nem eu mesmo sei direito que estou fazendo, a forma que ela presta atenção parece que estou até no caminho certo.
Mamãe, tem uma frase que posso usar agora, “Viajo porque preciso, volto porque te amo”. O dia das mães da senhora vem parcelado esse ano, deve ser por causa da crise, um no segundo domingo de maio, e outro no último domingo, quando estarei por aí pra poder contar mais algumas histórias, assistir novela só pra poder curtir o colinho, e comer o melhor frango que existe.
Amo a senhora, e todas as conquistas que um dia já tive, devo agradecer ao esforço da senhora, do amor, do apoio e de me aguentar estudando explicando tudo para a senhora.

Beijo! 
Quando mamãe veio conhecer Porto Alegre.




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