Como ter ida sem ter volta?
Acho que esse texto não tem novidade. Muitos que saem de casa já devem ter vivido isso, uma besteirinha. Claro que todos que saem de casa buscam fazer redes e conhecer pessoas com quem possam se conectar. As vezes temos interesses comuns tão poucos, seja por um curso de graduação, nacionalidade. Mas as vezes as conexões vão aumentando, vai pela forma de pensar, de agir, bebida preferida, lutas e ideologia. Quando isso acontece, é mágico.
Viajar abre muito a cabeça, mas também começamos a ser mais exigentes, já que começamos a cruzar pessoas que significam muito e que não queremos deixar de lado. Eu tenho problemas para ter longas conversas com quem não tenho convívio. Mas quando somos conectados, o reencontro é rico de discussão, de amor e de tudo que vivemos juntos. Eu não falo isso só da minha experiência aqui na França, mas de todas as vezes que saí de casa.
Para os que não sabem, meu conceito de casa é onde eu moro e onde tenho minha bicicleta. Aos que não sabem, essa semana minha bicicleta foi roubada e me faltam 11 dias para voltar para o Brasil. Minha casa aqui também já foi entregue e estou indo para uma nova casa, na cidade onde minha outra bicicleta me espera. Eu falo da bicicleta, porque ela me leva para encontros, para momentos. Encontrei tantos e tão bons amigos com elas. Amigos que já utilizaram e foram viver coisas maravilhosas com elas.
Deixei amigos por diversos cantos, amigos que sinto saudade abraçar, ou amigos que sentirei saudades de estar ali perto. Desculpem aos que possam ter traduzido esse texto para outra língua, mas saudades é o que também sentirei de ti. Essas conexões fazem da ida algo dolorido, mas faz da volta algo gostoso e esperado. Mesmo que para me sentir melhor eu bani o termo volta. Como um filósofo, acho que Heráclito, a gente nunca pode entrar no mesmo rio, já que as águas que estavam ali da outra vez, já se foi, já são novas águas que correm.
Para comparar com o texto, as águas não são mais as mesmas, alguns peixes vão, outros ficam ali, além de poder ficar com esses que ficaram, podemos encontrar novos e nadar para encontrar com os outros que se foram ou que deixamos em outro ponto desse grande rio, um rio imenso, que traz tantas coisas.

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