Em Lille estou, em Lille cheguei.
Pois é, cheguei à Lille.
Ui que bom, só que mais ou menos. Maquinista diz: próxima parada
LilleEurope. :) Quando desço, fico caçando o bendito papel escrito
meu nome ou qualquer coisa ligada a Universidade Lille 3,
Internacional Academia ou Ciência sem Fronteiras. Mas eles não
estavam dentro da estação do trem. Fui procurar onde eles falaram,
comecei a usar meu francês nas ruas de Lille. “Onde tem um ponto
de taxi mais perto?”, fui pro mais longe, voltei, achei o ponto.
Fiquei procurando o bendito papel, nada, nada, esperei mais um tempo
e nada. Puts, fudeu, ninguém vem me buscar. EAGORAJOSÉ?.
__“Ola, tudo bem? Você
é de Lille?
__Não, minha mãe é, vim
visitar ela, eu estudo em Nancy.
__Desculpa, mas eu estou
chegando hoje aqui, e desculpa pelo francês mal falado, mas é que
sou brasileiro, e o pessoal da minha faculdade falou que me receberia
aqui com um cartaz escrito Ciência sem Fronteiras, por acaso você
viu?
__ Não vi nada, e tem uns
30 minutos no mínimo que estou aqui.
__ vix, acho que vou
procurar em outro lugar...
(diálogo original em
Francês)
Rodei tudo, tudo bem, e
isso com uma mochila e uma mala de 28 kgs, sendo que uma das rodinhas
tinha estragado. #foda. Não sabia o que fazer, tinha esquecido, no
Brasil, o papel com as informações dos ônibus que deveria pegar. O
QUE FAZER? Procurar pra pessoa que tem a obrigação de ajudar, o
Policial. Sim, ele pegou o telefone da residência, se apresentou e
disse: “Tem um estudante brasileiro perdido aqui, como ele faz pra
chegar aí?”. No final, tudo deu certo, eu não entendi o que ele
disse, mas ele anotou tudo, e fui com minha mala enorme, comprei o
ticket, não sabia, mas eu tinha que validar ele na maquininha,
porque não tem catracas pra te controlar, só existe vez ou outra
fiscais, mas nunca me pediram o ticket.
Com minha mala enorme,
pego metro, depois ônibus, uma senhora me ensinou a validar o
ticket, pronto, desço na estação Laennec. E agora, onde é a rua
Jean Mermoz, onde é essa residência, pra que lado seguir?
Fui pra um e pra outro
nada de rua, até que quando fui pra outro vejo uma placa escrita:
|Residência universitária> . LOL LOL \o . Chego na rua, vou
andando, minha outra rodinha já tinha fudido, agora era eu e uma
mala de 2 rodinhas, porém as traseiras. Sim, eu tive que levar ela
ao contrário, eu carregava, arrastava. Eu morria. Suei pra caralho,
cansei, fiquei morto. Andei, andei, quando vejo uma árvore com
sombra, ando mais rápido, quando parei pra descansar, estava na
frente da residência. Agora também vou descansar. Depois quando
olho na porta, que entro, os brasileiros perguntam: “Marcos”.
Simmm, sou euuuu. Eles me receberam super bem e falou: “puts, o
pessoal tá super preocupados com você. ok.
E agora, porque ninguém
me buscou na gare (estação de trem)
Banho, conheço um pouco a
cidade, arrumo meu quarto, faço um monte de coisas no final de
semana. Na segunda-feira, na recepção: Florence diz:
__quem é Marcós”,
__ sou eu.
__ Marcós, o que
aconteceu com você? Onde você estava? Que dia você chegou? Dia 26.
Nós pensamos que você estava perdido na estação, e que um
policial te achou lá e ligou pra gente.
__ Não foi bem assim,
Florence. Eu cheguei sexta-feira, dia 28, fiquei esperando alguém me
buscar, não achei ninguém, tinha esquecido a folha de orientação
impressa lá no Brasil. Aí eu pedi informações pra algumas
pessoas, ninguém nem sabia onde era Wattignies, então pedi para o
policial, ele me ajudou, me falou, eu não entendi, ele anotou...
Depois disso, além de
virar o menino perdido, ainda ela toda vez que me encontra pergunta:
“ça va Marcós?” (tudo bem Marcos?).
E a moça que ajuda ela:
__Eu grávida não
consegui dormir. Eu fiquei pensando, se o primeiro a chegar acontece
isso, imagina os outros 60. Lembrando, eu sou quase o mais novo.
Mas o estudante perdido se
saiu bem, ficou famoso entre todos, alguns com dó, outros riam
comigo e de mim. Falar demais sempre faz bem, mas use com moderação.


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